Este informativo traz lições, dicas e comentários sobre o melhor uso de nossa inculta e bela língua portuguesa.
O que reproduzo abaixo é o uma de suas edições, a de número 137, para ser exato. Leia que vale a pena.
Acho que tem muito a ver com esses tempos em que o MEC patrocina edições de 450 mil livros didáticos que pregam abertamente o erro gramatical e linguístico.
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A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objetivo de que o cume chegasse ao céu, para chegarem a Deus e estarem mais perto dele. Isso era uma afronta dos homens a Deus, pois eles queriam se igualar com Ele, que parou o projeto e fez com que a torre ruísse. Depois, castigou-os de maneira que estes falassem várias línguas para que os homens nunca mais se entendessem e não pudessem voltar a construir uma torre. Essa história é usada para explicar a existência de muitas línguas e raças diferentes. A localização da construção teria sido na planície entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (atual Iraque), uma região célebre por sua localização estratégica e pela sua fertilidade. [Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.]
Todas as línguas têm sua complexidade.
Quem acha que falar e escrever em inglês é mais fácil do que em português é porque:
1.aprendeu muito mais português do que inglês e, com isso, consegue perceber as próprias dificuldades e os erros que comete em seu idioma;
2.acha que, com alguns anos de cursinho, já está falando e escrevendo melhor em inglês do que em português (ledo engano: fala e escreve tão mal quanto os “gringos” que vivem por aqui; só que não consegue perceber isso.).
Os poliglotas – que dominam vários idiomas – são, normalmente, grandes conhecedores de sua língua-natal, pois existe algo inato: a índole da língua. Não se iluda: ninguém fala e, principalmente, escreve melhor em um idioma que não é o seu, a não ser que tenha sido, antes, alfabetizado na outra língua.
Veja algumas particularidades:
> o português tem cerca de 25 preposições, enquanto o inglês tem mais de 100;
> em mandarim, a forma interrogativa dos verbos é formada por uma estrutura gramatical formada pelo verbo + a palavra "bù" (不), que significa "não" + o verbo repetido. É como se se perguntasse "fazer ou não fazer?";
> o alemão é uma língua flexional, como latim ou português, ou seja, as relações gramaticais entre as palavras são expressas por meio de afixos e, em parte, por meio da flexão do radical.
Não se envergonhe de aceitar que tenha dificuldades com relação a sua língua. Elas são, em igual proporção, as mesmas de milhões de lusófonos.
Pessoalmente, tenho vergonha, sim, de sair falando ou escrevendo errado em outro idioma que não no meu. Em português, tenho o direito de ignorar ou errar. Mas orgulho-me de ser humilde (antagonismo?) em buscar o conhecimento inesgotável do meu idioma. Para isso, sempre haverá alguém que saiba mais do que eu.
CULTURA NÃO OCUPA ESPAÇO
“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a pagina mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como escarro direto que me enoja independentemente de quem o cuspisse. Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.” [Fernando Pessoa]